Mostrando postagens com marcador joão affonso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador joão affonso. Mostrar todas as postagens

07 janeiro 2017

Dois filhos de Cham

Pra quem não conhece, este é o Cham.  Herdeiro direto de Töpffer, que dispensa apresentação.
O primeiro filho dele, aqui no Brasil, é o João Affonso do Nascimento - artista da revista ilustrada A Flecha.
Olhem a cara do cara:
João Affonso in A Flecha

E aqui o logo do Guns'n'Roses mais uma crônica em quadrinhos do J. A.:
João Affonso in A Flecha

 E esta homenagem (dois meses após a morte do Cham) em A Flecha:
Homenagem póstuma à Cham - in A Flecha (MA) - João Affonso

Last but not least, Angelo Agostini - neste link você baixa a incrível compilação que o Athos Cardoso fez.!
No link acima você encontra esta excelente Graphic Novel:
Nhô-Quim & Zé Caipora - as primeiras HQs de longa duração do Brasil e uma das primeiras do mundo - organização Athos Cardoso

Em Mr. Jobart - de 1840 - Cham achou (não sei se ele foi o primeiro) esta solução para a 'escuridão' da câmara de revelação de foto:
Mr. Jobart - Cham
O díscipulo, em Nhô-Quim - 1869, contempla a mesma solução pra 'escuridão', neste caso de um túnel:
Nhô-Quim
Em Mr Cryptogame - de 1846, com 'autorização' do próprio Töpffer - HQ de mais ou menos 65 tirinhas de uns três a quatro quadros cada, havia alguns momentos de ação, como esse:
Cham / Töpffer - Cryptogame
Todo a HQ aqui
Em Zé Caipora tem bem mais aventura:
Zé Caipora fugindo duma onça

Zé Caipora enfrentando uma onça

Em Cham, uma cena (lado direito - uma mulher sendo içada pela cintura) me chamou atenção:
Cham / Töpffer - Cryptogame
Em Zé Caipora (que conta com 75 capítulos de folhas duplas com em média 10 a 12 quadros por capítulos, o que dá uns 800 quadrinhos de HQ de aventura, comédia, drama e suspense pra ninguém botar defeito) um leitmotiv de Agostini são estas cenas de içamento, vejam:
Inaiá sendo salva pelo Zé Caipora

Inaiá sendo salva pelo Zé Caipora

Inaiá sendo salva pelo Zé Caipora

Inaiá sendo salva pelo Alberto - in Zé Caipora
E tem muito mais mas pra não alongar o post...

Os nomes dos personagens são em sua grande maioria em português:  Zé Caipora (que no cap. 35 se revela José  Corimba - que bem pode significar 'corimbactéria' que causa difteria ou 'corymbus' = cume), João, Freire, Memê (Amélia de Jesus Ribeiro), Juca, Joana, Joaquim, João de Melo, Alberto, tio José, Matilde, Alfredo Baptista...
Tem também o dr. Fort (que deve ser inglês).

E o restante são nomes indígenas:  Inaiá (que significa em tupy alguma palmeira ou o fruto.  No cap. 35 é revelado o nome 'branco' dela - Cecília, que bem pode ser uma homenagem à Ceci de José de Alencar), Mundurucu-Açu, e o chefe dos Itambaruris (que bem pode ser o mesmo que 'itambacuris').

Tem também muitos nomes de bichos (ou algo relacionado a eles):  boiada, jararaca, urubu, bucéfalo, jacu, paca, sucuri, tamanduá bandeira, maribondo, porco bravo, macaco, onça pintada, tatu, jacaré, jacu, peixe grande, cavalo etc.

Mas um nome permanece deslocado do contexto etimológico:  CHAM-KAN.  Não é tupy, não é portuguẽs, não é inglẽs, não é nem italiano (a nacionalide de Agostini).  Logo lembrei de Gêngis Khan.
Khan, Kan ou Cã significa "comandante" em turco/tártaro/mongol, logo seria "Comandante CHAM".
E quem é Cham, meus amigos?  Bela Homenagem do Agostini, hem?!
Cham-Kan - amigo de Zé Caipora

Pra quem não leu esta excelente HQ e não gosta de ler, aqui um resumo feito pelo próprio Angelo Agostini (aliás o primeiro, arrisco eu, a resumir uma HQ dentro da própria HQ):

Resumo de Zé Caipora feito pelo próprio Agostini

Terminamos com esta incrível homenagem do Jean Okada:
Inaiá - Zé Caipora - Cham-Kan - arte de Jean Okada
Inaiá, Zé Caipoira e Cham-Kan


31 dezembro 2016

Bomba! A primeira "onomatopeia" das revistas brasileiras. E uma breve cronologia do uso de balões nas HQs ocidentais modernas - indo do ano de 1813 até 189..., bom, o ano em que um garoto de roupa estranha que aparecia em um jornal, fazia muita pilhéria com todo mundo. Se você conhece esse cara, você é um rato de HQs mundo afora, boa leitura!


boom HQ Retrô

Opa, a gente não vai falar de bomba, isso apenas serve de exemplo.  Na onomatopeia você consegue ler o texto (sempre é texto), mesmo que seja "grgrgrgr" grunindo.
Vamos à primeira da lista.


O Trapeiro - revista illustrada - 1862
Vos apresento a revista ilustrada O Trapeiro, da corte do Rio de Janeiro - 1862.  E esta é a primeira onomatopeia por estas bandas, man!  Desconheço o artista (e que artista! deduzo que seja um único artista), mas a assinatura em um dos números é esta:

Assinatura caricaturista/quadrinhista - O Trapeiro

Psit - Raphael Bordallo Pinheiro - 1877

Segue esta de 1877 da revista Psit (arte do portuga genial Bordallo Pinheiro).  Rio de Janeiro.


Besouro - Raphael Bordallo Pinheiro - 1878 - onomatopeia
E esse "barulho" de fogos de artifíco são do Besouro de 1878, também Rio também portuga na arte.


Ainda tem uma última onomatopeia mas vamos fazer uma pausa pro baralho.

George Cruikshank - 1813 - balão

Esse baralho aí é de 1813 (George Cruikshank).  Eu conheço esses dois negocinhos acima das cabeças dos jogadores como "balão" e creio que o da direita ganhou o jogo, rsrsrsrsr.

O Trapeiro - 1862 - balão

Aqui eu chamaria de "balão descascado" porque vem sem a cercadura.  É de O Trapeiro 1862, Rio de Janeiro.  O cara reclama que vão acabar derrrubando quebrando a pedreira dele (eram muitos fazendo malabarismo uns em cima dos outros, cortei pra focar a frase do balão).


O Trapeiro - 1862 - balão

Ia começar o post (acim) com esta imagem que seria o início da discussão, reparem que o juiz adverte aos dois contedores que esperem a ordem de início da luta, mas me lembrei de Pulp Fiction e não comecei pelo começo.  Esta arte como vocẽs devem ter notado também é de O Trapeiro (1862).

O Trapeiro - 1862 - balão
Aqui um diálogo em O Trapeiro (1862), o que está sendo engolido pelo peixe fala algo como "quem ....., ui" (muito comprometido pelo fato de não se usar o fundo do balão em cor diferente, com certeza no jornal original daria pra se ler).

O Trapeiro - 1862 - balão

Juro que pensei se tratar de uma emanata o que sai da boca do vendedor de pasteis, mas...

O Trapeiro - 1862 - balão

... quando a gente rotaciona o desenho nos dois eixos percebe-se duas coisas:  1- o garoto lamenta da arte dele ou o do próprio desenhista (O Trapeiro 1862) é o lamento metalinguístico; 2- o desenhista é melhor que o Da Vinci porque escreve espelhado e de ponta cabeça, rsrsrs.

O Trapeiro - 1862 - balão

Não, não é um gramofone.  E não, não é um papagaio, é O Trapeiro em 1862 lá no Rio de Janeiro.

Vida Fluminense - 1862 - Agostini - balão
Essa conta também, Arnaldo?  1868 - A Vida Fluminense - Agostini.

Psit - 1877 - Raphael Bordallo Pinheiro - balão

Psit - 1877 - Rio - Bordallo, o portuga fera.


O Besouro - 1878 - Raphael Bordallo Pinheiro - balão


O gênio portuga que fazia o personagem comer 'balão'.  O Besouro 1878 - Rio.

O Besouro - 1878 - Raphael Bordallo Pinheiro - balão



O Besouro - 1878 - Raphael Bordallo Pinheiro - balão

Bordallo de novo, no quadro de baixo há um 'pequeno polegar' aparece vez ou outra e fala algo.  1878 Besouro - Rio de Janeiro.

A Flecha - 1880 - João Affonso - balão

Algo me diz que esse índio tá falando:  "Viva a morte do orçamento!".  Revista "A Flecha" 1880 - São Luis do Maranhão.  Artista parece ser J.A. (que deduzo que seja algum dos Azevedo).  O artista é João Affonso.

Caran D'Ache - 1886 - balão

Um russo, pra variar, francês nascido em Moscou, pra variar um pouco, Caran D'Ache, tira de 1886.  (do Imageria - Rogério de Campos, foto)


E agora...

O Figarino - 1895/1896 - Nicephoro Moreira - balão
É com um prazer enorme que vos apresento (se alguém ainda não o conhecia) o garoto de roupa esquisita, conhecido como Figarino, em 23 de junho de 1895, Fortaleza no Ceará!  Seria inspiração dos balões de São João?  rrsrsrs.

O Figarino - 1895/1896 - Nicephoro Moreira - balão

Mesmo ano, mas assunto sério, demissão na Estrada de Ferro - Fortaleza - Revista Figarino.

O Figarino - 1895/1896 - Nicephoro Moreira - balão
O Figarino - 1895/1896 - Nicephoro Moreira - balão

O Figarino - 1895/1896 - Nicephoro Moreira - balão

O Figarino - 1895/1896 - Nicephoro Moreira - balão

Todos acima de O Figarino - Fortaleza 1895/1896.  Reparem na torre da igreja sem o sino.

O Figarino - 1895/1896 - Nicephoro Moreira - balão - onomatopeia

Agora reparem o sino batendo "dalão" "dalão" - pura onomatopeia em 1895, direto de Fortaleza - CE.  E ainda com a presença de 'balões' de diálogo.


O Figarino - 1895/1896 - Nicephoro Moreira - balão

Olhem a sutileza com que Figarino trata a concorrência (O Lápis era uma outra publicação da época, lembra as guerras contra o Dr. Semana).

O Figarino - 1895/1896 - Nicephoro Moreira - balão

O Figarino era brabo!

O Figarino - 1895/1896 - Nicephoro Moreira - balão
Assim tal qual Figarino me dispeço do ano de 2016 com esta pérola do ano de 1895, lá da terra do papai, o Ceará!

O Figarino - 1895/1896 - Nicephoro Moreira - balão
O cara das xilogravuras é o Nicephoro Moreira (nome à direita), mais detalhes aqui.

A revista mudava de vez em quando o logo, gostei mais desse.  Só existem 59 edições na BN.
Mais de um ano antes do Outcault 'inventar' o balão os cearences já sabiam o que era isso.  Sem contar os trapeiros, os bordallos (com psit, besouro), os flechas etc.

O Figarino - 1895/1896 - Nicephoro Moreira - balão

O que começa com baralho termina com baralho, olhem que o Figarino "cabueta" os jogadores pro Urbano que estava cochilando.

Espero que tenham gostado!

Pra ler todas as edições de  O Figarino

A ideia de se criar este blog partiu do Quim.