05 agosto 2020

Conquistadores do Espaço - de Marcomiro Jr. e Adão F. Gonçalves

Saiu primeiramente no Fórum do QI 163 do Edgard Guimarães, havia encaminhado a ele essa "descoberta" e agora posto aqui também aqui no blogue..
Aliás, a capa do QI está muito bonita:
QI 163 - Edgard Guimarães - HQ Retrô

A série de quadrinhos ‘Conquistadores do Espaço’ saiu no Jornal do Dia, fundado em 1947 pelo Sr. Armando Pereira da Câmara (10/11/1898-19/03/1975).
Armando foi professor, reitor da Universidade de Porto Alegre, reitor da Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Senador da República por um curto período. No site do Senado o nome dele é dado como Armando Pereira Correa da Câmara e as datas de nascimento e falecimento são diferentes.
Em 1952, no suplemento do jornal, na ‘Página Infantil –Direção do Tio Lucas’, surgiu ‘Conquistadores do Espaço’. Era domingo, dia 16 de novembro e a edição era a de número 1745. Em alguns números, essa página apareceu também nas terças e sábados, mas a maioria foi no domingo ou sábado.
O roteiro (ou argumento e direção, como estava escrito na tira) ficava por conta de Marcomiro Leite Filho (na tira estava creditado Marcomiro Jr.), pernambucano, nascido em 12 de junho, creio que em algum ano entre 1913 e 1918. Marcomiro era jornalista,fazia crônicas de cinema, era tradutor de colunas literárias e também de tiras estrangeiras e colaborou com o jornal até pelo menos 1961.
A arte da tira era obra de Adão F. Gonçalves, gaúcho, nascido aproximadamente em 1928. Foi contratado pelo jornal para fazer a tira, mas também fazia ilustrações para outras seções. Atuou também como cenógrafo.
A série começa apresentando o laboratório do Dr. Márcio César, graduado em uma tal Universidade de Estudos Cósmicos. O laboratório ficava em um ponto secreto doBrasil. Ele trabalha na construção de uma espaçonave chamada Centúria, que lembra um avião supersônico. O plano é chegar ao planeta Órbiton. A expedição conta com a presença de Tânia (co-piloto) e do cinegrafista Rui. Pelos cálculos iniciais, a chegada aodestino se dará em uma semana de voo. No decorrer da viagem, eles se deparam com um disco voador e o filmam. Param para manutenção em uma estação orbital construída pela mesma Universidade, fazem áudio-chamadas para se comunicarem com a Terra. Na estação,eles assistem à filmagem em câmara lenta e verificam que existem inscrições hieróglifas (ou algo semelhante) no casco do disco voador. Enviam as imagens via rádio-foto para o nosso planeta e partem para o destino final. Aqui, programas de rádio e jornais noticiam o feito. Lá em Órbiton, constroem um posto avançado, mas pouco tempo depois são atacados por alienígenas humanoides... Inexplicavelmente a série é interrompida no nº 1895 de maio de 1953, ainda no capítulo 22. Não consegui localizar a continuação mesmo procurando por todo o ano de 1953.

conquistadores do espaço - marcomiro jr - a f gonçalves - hq retrô

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02 agosto 2020

As promessas de continuação do Zé Caipora

No excelente livro do Athos Cardoso, na página 29 ele cita uma canção que foi inspirada pelo personagem mas não diz em qual edição de O Malho. Foi no #240 do ano de 1907, trata-se mesmo de apenas uma inspiração pois na HQ o personagem se chama José Corimba e na cançoneta José da Silva Pirapora, entre outros detalhes. O músico Raul Martins também fez canção para o Chiquinho (Buster Brows), como é relatado em O Tico-Tico desse mesmo ano.


 Como vocês sabem a aventura "termina" com a prisão de Zé, ainda nesta mesma edição que saiu a cançoneta é feita uma promessa aos fãs do personagem na "sessão de cartas":


Havia fã que estava pedindo até o Habeas Corpus para o personagem (#242):


Nesta mesma edição é visto que a cançoneta foi mesmo feita para os fãs de Zé Caipora:



No #248 é dito que Zé Caipora adoeceu na cadeia, por isso as aventuras tinham sido paralisadas:



No #255 reclama-se dos juizes:



No #256 é dito que quase o Zé sai do xadrez:



Ainda em 1907 (ano seguinte ao "término" da HQ), na edição 261, nos é informado que o Zé fugiu para a Europa (taí a dica pra quem quiser dar continuidade à aventura) e a revista prometeu a volta da série para breve:


Tudo isso era na sessão de cartas de O Malho. Ainda hoje não se sabe o porquê do cancelamento da HQ que gozava de sucesso junto aos leitores desde o ano de 1883.

Lembrando que até peça de teatro foi feita em homenagem ao personagem, confira aqui.

*Editado em 03 de agosto de 2020 para acrescentar todos os 75 capítulos de Zé Caipora, compilados em um álbum na fanpage desse blogue.

31 maio 2020

Pequena Cronologia da HQ - parte 18

1810/1817 (?)

Vida de Napoleão I - Cônsul da República Francesa.  Arte de  Thomas-Charles Naudet aka Nodet (1773 - 1810 França).  Gravador (artista responsável por preparar a gravura para que seja impressa a arte):  Pierre-Adrien Le Beau (1744/1748 - 1810/1817 (?))

Essa HQ merece um post especial.  Um número de detalhes é tão grande que a exceção se faz necessária.

Situei a obra entre 1810 e 1817 (a provável morte do gravador) imaginando a possível data mais recente da HQ, nada impede que ela tenha sido publicada postumamente (após a morte de Nodet).

Via Gallica

Seguem detalhes em zoom da HQ:

Nome do artista, lateral esquerda
Nome do gravador, lateral direita
Via Library of Congress
Outras fontes consultadas da obra:
https://www.parismuseescollections.paris.fr/fr/musee-carnavalet/oeuvres/vie-de-bonaparte-premier-consul-de-la-republique-francaise#infos-principales

https://www.amazon.com/ClassicPix-Canvas-Print-12x15-Republique/dp/B07M6RM3PV

Mais obras de Naudet/Nodet:
https://data.bnf.fr/atelier/14955744/thomas-charles_naudet/

26 maio 2020

E se a nossa Primeira HQ de 1855 for na verdade de 1856?

Mais uma vez o grande artista Sisson passa por nosso blogue.
Em 2017 postei a HQ "O Namoro, Quadros ao Vivo" (elogiada até por Carlos Drummond de Andrade, segundo Herman Lima em seu 'catatau' "A História da Caricatura no Brasil" de 1963).
A data da publicação, na capa da #8 de O Brasil Illstrado, é uma segunda-feira 15 de outubro de 1855.
À época já suspeitava do título, que a maioria concorda que seja "O Namoro, Quadros ao Vivo - Por S..... o Cio" - este 'cio' no pseudônimo seria compreensível em se tratando de um namoro, as ganas amorosa etc.  Não vou aqui me ater ao termo "quadros ao vivo" que era um termo teatral usado, pelo menos, desde 1852 para indicar alguma parte da peça (ou ela toda) onde os atores faziam, digamos assim, papel de estátua representando quadros históricos/representativos.  Nem tampouco vou me alongar debatendo se esse termo era ou não usado especificamente para nomear uma História em Quadrinhos (como a maioria sói usar hoje em dia), mesmo porque o Sisson não mais usou esse termo em seus outros trabalhos, que não foram poucos.
Bom, voltando ao 'cio', lendo o Herman vi que ele grafou (ou seria a editora?) não 'Cio' mas 'Cie.' - abreviação para 'compagnie' que é 'companhia' em francês.  É sabido que Sisson conhecia o idioma francês, portanto o pseudônimo seria "S..... e Cie." (com letra 'e' ao invés de 'o', o que não é impossível pois se você olhar bem para o 'o' de "Por..." e o suposto 'o' de "...o Ci.." verá que o primeiro tem uma base mais larga que o segundo o que leva a crer que o segundo 'o' é na verdade um 'e' com a impressão mais branda onde a reentrância não aparece por completo.  Veja na foto como Herman publicou no livro (levando em consideração que em 1963 a edição de O Brasil Illustrado estaria bem mais legível que hoje em dia):


Concluindo parcialmente, o que quero dizer é que como todo Artista modesto Sisson criou esse pseudônimo como sendo eles (ele mais um alterego, já que o forte dele eram as belas litografias exaltadas até por Machado de Assis).   Em L'Iride Italiana a assinatura é bem nítida e não há dúvida alguma que o final é "... e Cie".  Sisson & Cia., como se diria hoje.  Voltando um pouco no tempo temos Töpffer que se esquivava de publicar suas HQs pois sentia vergonha da possível má interpretação da sociedade por ele ser um professor "respeitado".  Ao fim e ao cabo os pseudônimos são para isso mesmo, para 'proteger' o artista.

Por que disse concluindo parcialmente?  Porque a data de 15 de outubro de 1855 para esta nossa primeira HQ já é pública e notória, e está escrita na capa da edição #8.  Mas...
Tudo tem um mas na vida!
O jornal "Diário do Rio de Janeiro" de 27 de fevereiro de 1856, na sua edição #58 (quarta-feira, página 3 - link no rodapé da figura) trouxe a seguinte notícia:

Via Biblioteca Nacional
Ou seja, a famosa edição #8 de 15 de outubro de 1855 só veio à lume em fevereiro de 1856!  A explicação está clara, a revista havia sido interrompida e estava retornado à praça.  Por isso nossa curiosidade em saber porque o pessoal da BN havia colocado a pasta com essa revista dentro do ano de 1856 (figura abaixo, no link você pode verificar que a edição #9 é de março de 1856, seguindo a sequência lógica):

Via Biblioteca Nacional

Concluindo, o dia exato (ao que tudo indica) em que o público conheceu a famosa HQ de Sisson foi 22 de fevereiro de 1856, uma sexta-feira, como saiu noticiado no "Correio Mercantil" edição #52 página 3 (link no rodapé):

Via Biblioteca Nacional
E como estamos aqui pra perguntar, e se a sátira ao maestro Barbieri (publicada em L'Iride Italiana em 19 de outubro de 1855 - link no primeiro parágrafo) for considerada uma HQ?

13 maio 2020

Pequena Cronologia da HQ - Parte 17

1801

Viagens de Abraão, de Ur à Canaã.  Artista anônimo.

Via Real Museu Holandês
1808

Alguns trabalhos de Hokusai são considerados HQs, segue um link com algumas obras de arte desse  do artista japonês

1812

Um passeio do doutor Sintax em busca de cenas inusitadas.  Thomas Rowlandson (1756 - 1827 - UK).

1815

Antes, durante e após a Guerra.  George Cruikshank (1792 - 1878 UK)

Via Biblioteca do Congresso Americano
1817

Efeitos impressionantes usando pontos e linhas - feito por um artista jovem.  George Cruikshank (1792 1872 UK)

Via Museu Britânico
Via Museu Britânico

04 maio 2020

Revista "Para Todos"

Uma revista de artes em geral.  Criada em 1918.
Com várias e várias contribuições de J. Carlos, tantas que seria impossível elencá-las.
Seguem duas capas (das tantas) do artista:

#550 de 1929
#553 de 1929
Seguem outros artistas com contribuições/licenciamentos na revista:

#580 de 1930 - Quem seria o autor desta propaganda em forma de HQ? Seria o Belmonte?  Seria o Seth?
A HQ "História da Música" (em várias pranchas e também puclicado no jornal "A Tribuna" como consta no livro "Estudos luso-brasileiros de iconografia musical", Pablo Sotujo Blanco (organizador)), escrita pela contralto Ernestine Schumann-Heink (1861-1936 - Áustria/USA) e desenhado, provavelmente, pelo artista William Paul Pim (1885-1950 - USA):

#608 de 1930
#609 de 1930
Algumas caricaturas, que são uma obras de arte, de Alberto André Delpino Júnior (1904(?)-1985) como esta da Miss Minas Gerais Jesuína Pimentel Marinho:

#543 de 1929
Esta HQ do Guevara:

#545 de 1929
Esta HQ de Roberto Rodrigues (1906-1929 - Pernambuco/Rio de Janeiro):

#522 de 1928
Last, but not least, a revista contava com várias desenhos/painéis de Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque Melo (1897-1976 - Rio de Janeiro), mais conhecido como Di Cavalcanti.
Separei esta que pode ser uma das únicas HQs, senão a única, dele.  Vários personagens se desentendem em uma conversa telefônica, a confusão foi graças à telefonista que trocou os plugues do terminal telefônico:

#546 de 1929
*fontes todas linkadas acima...
**fonte principal BN e casa Rui Barbosa - sessão de Periódicos Raros